Reitor abre encontro da Federação Internacional das Universidades Católicas

16 marzo 2016
Reitor abre encontro da Federação Internacional das Universidades Católicas

 

Redação | 14 de março de 2016 |

 


Ao lado do secretário-geral da Fiuc, Monsenhor Guy Real Thivierge; do presidente do Grupo Setorial de Ciências Sociais da Fiuc e professor da Universidade Comillas (Espanha), Fernando Vidal; e do assessor de Relações Internacionais e Interinstitucionais da Unicap, Thales Castro; Padre Pedro enfatizou a sua satisfação em receber o evento na Unicap. Nas suas palavras de boas-vindas, ele pontuou os contrastes do Brasil e as conquistas que o país alcançou nos últimos anos, mas chamou atenção para as ameaças advindas das crises política e econômica.

fiucNa sua saudação, o Reitor  fez que uma pequena explanação sobre a história da Unicap, ressaltando que trata-se de uma universidade pública não estatal, sem fins lucrativos, segundo a nova lei de 2013, que reconheceu o segmento comunitário como uma terceira via entre o público estatal e o privado particular.

Leia abaixo a íntegra do discurso:

“Bem-vindos e bem-vindas ao Encontro do Grupo Setorial de Ciências Sociais da Federação Internacional de Universidades Católicas, essa rede de instituições que eu tenho a alegria de presidir e que se faz presente aqui e agora em nossa Universidade. Todos vocês, homens e mulheres de universidades parceiras, organizadores, pesquisadores e convidados, sintam-se como em vossa instituição: wellcome, bienvenus, benvenidos…benvindos!

Bem-vindos ao Brasil, esse país de contrastes:

– território de dimensões continentais e muita gente sem terra para trabalhar ou lugar para morar;

– povo mestiço sobretudo a partir das matrizes indígenas, europeias e africanas, mas que ainda precisa superar formas diversas de racismo e discriminações;

– estado de direito, democracia social e liberdade de expressão, mas ainda marcado por resquícios de autoritarismo, pelas estruturas oligárquicas e não-ditos…

– alguns falam do país do futebol, mas não esquecemos nossa copa do mundo e o mercado no qual o esporte nacional se tornou;

– outros insistem que é o país do carnaval, essa bela festa popular, expressão da alegria acima de tudo, mas sem esconder tantos sofrimentos;

– o Brasil é conhecido como um país católico, hoje 65% da população, mas sobretudo um povo religioso, cheio de expressões sincréticas e uma ambiguidade difícil de eliminar…

– enfim, uma jovem democracia que entrou nos últimos anos em uma política de superação da pobreza, desenvolvimento econômico e social fora do comum: mais de 36 milhões de pessoas saíram do empobrecimento; distribuição de recursos mediante vários programas de estruturação social; nestes últimos 15 anos, na educação superior, passamos de 2,5 a 8 milhões de universitários… Mas tudo isso está ameaçado por uma crise política ambígua, pela chaga da corrupção, pelas diversas crises financeiras…

Bem-vindos ao Recife, capital do estado de Pernambuco, cidade das rebeliões libertárias, dos poetas, da multiculturalidade, dos movimentos sociais, polo universitário… A chamada Veneza brasileira é também lugar de contrastes, de problemas históricos e lutas emblemáticas… Povo guerreiro, orgulhoso de suas tradições e cheio de pioneirismos… Entre a velha e nobre Olinda e a Recife do antigo porto, antigamente palco de guerras entre portugueses e holandeses, rebeliões libertárias e questões religiosas, com mártires e heróis; nem mártires nem heróis, os jesuítas foram expulsos duas vezes daqui, mais continuam teimosamente hoje sua missão… Cidade onde nasceu o primeiro curso de direito do país, é também a diocese onde trabalhou um defensor dos direitos humanos e artífice da paz, Dom Helder Câmera.
Enfim, essa região metropolitana, no coração do Nordeste e olhando para a África e para a Europa, representa bem igualmente os desafios da urbanização sem planejamento e do desenvolvimento desordenado das grandes cidades brasileiras.

Bem-vindos à Universidade Católica de Pernambuco, no coração do Recife… Alguns veem o nosso pequeno campus e reclamam da falta de espaço, de elevadores, de congestionamentos… Tudo isso é verdade, mas preferimos interpretar que nosso “campus é a cidade” e nossa missão educativa tem a ver com a cidadania.

– A Unicap é a primeira universidade católica do Norte e Nordeste do Brasil, fundada em 1943 como Faculdade ligada ao colégio Nóbrega, de iniciativa jesuíta; o colégio clássico encerrou suas atividades em 2006, mas continuamos com um Liceu em parceria com o estado de PE, com mais de 1.200 alunos, gratuitamente;

– cresceu graças às demandas de trabalhadores e filhos de trabalhadores, por conta da oferta de cursos noturnos… Até hoje, dos quase dez mil estudantes, mais da metade tem algum tipo de bolsa e a maioria trabalha em algum turno do dia e estuda no período da noite.

– somos uma universidade de pleno direito, podendo reconhecer diretamente os diplomas de mais de 35 cursos universitários, distribuídos em cinco centros acadêmicos: ciências humanas, incluindo a teologia; ciências e tecnologias, incluindo engenharias e arquitetura; ciências sociais, incluindo tecnólogos e gestão; ciências biológicas e da saúde, incluindo medicina; e ciências jurídicas, somando mais de 3.500 alunos… Além de 7 mestrados, 4 doutorados e vários MBAs e especializações.

– Neste país de contrastes, a Unicap é uma universidade pública não estatal, sem fins lucrativos, segundo a nova lei de 2013 que reconheceu o segmento comunitário, terceira via entre o público estatal e o privado particular.

– Nesta cidade de pontes, queremos ser uma universidade sem fronteiras; incrustada no coração do Recife, nossa universidade quer propor novos humanismos dialogando com os diversos movimentos sociais, sindicatos e organizações sociais especialmente através do Instituto Humanitas.

– Nesta rede de universidades católicas, a Unicap, de inspiração cristã e tradição educativa jesuíta, define sua missão como busca da qualidade acadêmica que visa à excelência humana. Apostamos na educação como transformação das pessoas, porque cremos que estas poderão transformar a sociedade.

Sejam muito bem-vindos e bem-vindas e que este encontro do grupo setorial de ciências sociais da Fiuc nos estimule ainda mais na ampliação de nossos horizontes, segundo os sentimentos oceânicos que nos habitam.

Merci, gracias, thank you… Muito obrigado!