Universidade Católica de Brasília - Socialização de criança autista é foco de pesquisa na UCB

20 julio 2016
Universidade Católica de Brasília - Socialização de criança autista é foco de pesquisa na UCB

Um estudo de caso desenvolvido pela estudante de bacharel em Educação Física da  (UCB), Joyce Bomfim Vicente, recebeu destaque dentro do projeto Espaço Com-Vivências. Por quatro meses, Joyce analisou o desenvolvimento de uma criança autista com 12 anos de idade que participava da oficina Corpo Expressão para realizar seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Aos 16 anos, ela ingressou no projeto como voluntária e, durante três anos, foi bolsista de Iniciação à Extensão e bolsista de Iniciação Científica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Concluiu a licenciatura em 2015 e cursa atualmente o 8º semestre para habilitação em bacharelado do curso de Educação Física.

 

O Espaço Com-Vivências atende crianças com deficiência a partir dos 6 anos e também adultos, ao oferecer a possibilidade de desenvolverem, por meio das linguagens artísticas e corporais, estímulos suas potencialidades de expressividade, autopercepção e socialização. Por meio de um diário de campo, a estudante Joyce Bomfim Vicente, 20 anos, documentou todo o processo de evolução cognitiva da criança diagnosticada com autismo. A pesquisa reuniu entrevistas com a mãe do autista, com a professora Soraia Valenza Diniz, coordenadora do projeto pela Secretaria de Educação do DF (SEDF), e suas observações pessoais. “Tive a oportunidade de registrar todo o processo de mudança. Era uma tarefa de observação do comportamento do indivíduo, como mínimos gestos e experiências”, explicou a estudante.

 

Dedicada aos pacientes atendidos, em especial às crianças, ela teve uma infância cercada por simplicidade e humildade devido à criação familiar. “Quando conheci o espaço me desfiz de muitos ‘pré-conceitos’ que todo mundo possui em relação a pessoas especiais. Vejo muita sinceridade e transparência ao mostrarem suas dificuldades e facilidades”, afirmou Joyce. Segundo o orientador do TCC da estudante, que também é professor do projeto, Elvio Marcos Boato, o trabalho da estudante será transformado em artigo científico para publicação. “É uma pessoa brilhante que foi convidada a ir para a Inglaterra pelo programa do governo federal Ciências Sem Fronteiras, mas teve que recusar”.

 

Diferentes, mas iguais

 

Caracterizado por dificuldades no desenvolvimento da interação social, comunicação e comportamento focalizado e repetitivo, o autismo infantil é um Transtorno Global do Desenvolvimento. Com a pesquisa, a estudante quis mostrar que nem todos os autistas apresentam as mesmas características. “Autistas não seguem um padrão e têm individualidades. Há o autista que grita e chora como uma forma de dizer que está incomodado, o que foi objeto da minha pesquisa, e aquele que se isola e tem dificuldades na linguagem verbal”.

 

O objetivo do estudo de caso qualitativo foi identificar o progresso comportamental de um estudante com diagnóstico de autismo a partir da observação durante as atividades do projeto. A partir da coleta de informações, foi possível perceber uma adaptação do estudante à rotina das atividades da oficina, criando vínculos afetivos com os professores e voluntários bolsistas. Para Joyce Vicente, a melhora no comportamento do estudante se deu em função dos estímulos vivenciados na oficina “Corpo Expressão”, que, inicialmente, respeitou os limites da criança e incluiu gradativamente os estímulos necessários para o seu desenvolvimento.

 

A música foi um dos facilitadores dessa transição por ser um meio de comunicação não-verbal e transmissora de estímulos afetivos. Ao longo do processo, houve melhora nas relações sociais, aceitando e se interessando pelas atividades propostas, permanecendo nas aulas por um tempo maior. “Os atendimentos individuais que, no início, duravam apenas cinco minutos progrediram para o tempo de 10 e 15 minutos. Para um autista, qualquer mudança em sua rotina representa sofrimento. Ele demonstrava isso por meio de choros e gritos porque estava entrando em algo novo com pessoas desconhecidas. Ao final do processo, ele já não tinha mais aversão das pessoas e desenvolveu a sua consciência corporal e psicomotora, além da socialização”, explicou Joyce.

 

Sem barreiras para o desenvolvimento

 

O ensino da Educação Física e das Artes colabora com os autistas na questão do contato, de não ter medo das pessoas com as quais ele convive, e no aprendizado ao conviver em grupo. Segundo a pesquisadora, a Educação Física abrange não somente o físico, o psicomotor e a coordenação do indivíduo, mas o social e o emocional. “A criação do vínculo é fundamental em qualquer intervenção com pessoas com deficiência. Nós temos momentos incríveis de trabalho em grupo que nem sempre são valorizados. Muitas vezes, são passadas atividades individuais ou em dupla e é necessário mudar esse sistema de exclusão. Mesmo com suas dificuldades, eles têm que ser incluídos. Hoje, eu toco o braço dele e ele não rejeita o contato e não tem mais tanta dificuldade com a nossa rotina”.

 

Com a pesquisa, Joyce concluiu que as mudanças de humor num autista são semelhantes às de uma pessoa comum, só que em proporções e com reações diferentes. “É preciso respeitar o tempo do outro e, se aquele for um dia ‘ruim’, não devemos exigir muito na atividade. Todos os estudantes de diversas áreas deveriam participar pela questão social e pela convivência, de você estar perto de pessoas diferentes de você”. 

 

 

 

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